Celebrar Aristides de Sousa Mendes: um compromisso!

Celebrar Aristides Sousa Mendes é evocar a sua coragem e a defesa permanente da dignidade humana. Mas é também um compromisso e um ato de fidelidade ao seu legado, que nos cabe preservar.

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Manuel Pizarro e ISABEL SANTOS

21.10.2021

No momento em que Portugal faz justiça e atribui honras de Panteão Nacional a Aristides de Sousa Mendes, relembramos o seu legado, e a forma como ele ultrapassa largamente a dimensão da evocação da sua personalidade e da preservação da sua memória histórica. 

A atualidade do seu exemplo impõe-se ainda nos nossos dias, quando as fronteiras da União Europeia se fecham para muitos daqueles que aqui procuram uma oportunidade de vida em segurança e com dignidade. Ou quando movimentos neofascistas se arrogam o direito de voltar a sair à rua e apelar ao ódio e à intolerância. Ou, ainda, quando observamos o aumento do anti-semitismo, da islamofobia e dos ataques violentos contra minorias étnicas e religiosas por toda a Europa, ou de crimes de ódio como o recentemente registado em Portugal contra uma família sueca. Sim, sejamos claros: estão em causa avanços civilizacionais que julgávamos sem retrocesso.

Evocar Aristides Sousa Mendes, um Justo entre As Nações, deve servir para entoarmos uma verdadeira ode à tolerância e à dignidade humana.

É dever de todos lembrar o exemplo daquele que, sendo monárquico e católico fervoroso, perante o avanço das tropas nazis, ousou desafiar uma ordem inconstitucional de um regime político ditatorial e, movido pela sua consciência, salvar 30 mil vidas das garras da morte, sem olhar a raças, credos ou estatutos sociais. Entre aqueles que salvou encontravam-se não só judeus, mas também republicanos espanhóis exilados em França, comunistas, e tantos outros perseguidos pelo nazismo.

Ele mostra que, perante a barbárie, a atitude de cada um conta e faz a diferença. Recordar o seu exemplo é também assumir o compromisso de defesa intransigente dos valores que permitiram à Europa superar as feridas da II Guerra Mundial e que conduziram à criação da União Europeia.

Sentimos o dever de nos associarmos às homenagens que o país lhe rende. Para isso promovemos ações de tributo a Aristides Sousa Mendes, uma no Porto (dia 22), outra em Bruxelas (dia 26), onde contaremos com o testemunho de Hilda de Vleeschauwer, salva pelo Cônsul de Bordéus, tal como toda a sua família, quando ainda era criança.

Celebrar Aristides Sousa Mendes é evocar a sua coragem e a defesa permanente da dignidade humana. Mas é também um compromisso e um ato de fidelidade ao seu legado, que nos cabe preservar.

 

Por Isabel Santos e Manuel Pizarro

Eurodeputados do Partido Socialista

 

Artigo publicado no Jornal de Notícias a 21 de outubro de 2021.

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